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São Paulo,24/04/2026

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Médicos e pacientes cobram na Câmara aprovação de política nacional para imunodeficiência genética rara

camara.leg.br
Médicos e pacientes cobram na Câmara aprovação de política nacional para imunodeficiência genética rara
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Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Política nacional de atenção integral às imunodeficiências primárias

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial debateu o assunto


Médicos e pacientes pediram, em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (23), a aprovação urgente do Projeto de Lei 1778/20, que cria a Política Nacional de Atenção Integral às Imunodeficiências Primárias.


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O projeto já foi aprovado pela Comissão do Trabalho e está em análise na Comissão de Educação, mas ainda será avaliado pelas comissões de Saúde e de Constituição e Justiça.


A médica Natasha Ferraroni, doutora pela Universidade de São Paulo, explicou que a condição é hoje chamada de erros inatos da imunidade.


“É um problema no sistema imunológico. São mais de 550 doenças genéticas raras que aumentam o risco de infecções graves e recorrentes, além de doenças autoimunes e câncer. Pacientes precisam de acompanhamento contínuo e podem ter internações frequentes e alta mortalidade”, disse.


Pacientes ouvidos durante o debate relataram uma série de dificuldades:



  • falta de especialistas;

  • ausência de protocolo padronizado;

  • diagnóstico tardio;

  • medicamentos de alto custo;

  • necessidade, em alguns casos, de transplante de medula óssea.


No mundo, a condição afeta uma em cada 1.200 pessoas, segundo a Sociedade Europeia de Imunodeficiência. No Brasil, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia estima 170 mil casos, com 70% sem diagnóstico correto.



Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Política nacional de atenção integral às imunodeficiências primárias. Vivendo com Erros Inatos da Imunidade, Cristiane Monteiro.

Cristiane Monteiro: "O sistema de saúde não estava preparado"


A paciente Cristiane Monteiro, fundadora de um grupo de apoio, relatou a experiência com a doença.


“Antes do diagnóstico, passei anos entre hospitais e internações. O sistema não estava preparado. Eu sobrevivi, mas muitos não.”


O projeto prevê:



  • atendimento ambulatorial e hospitalar humanizado;

  • acompanhamento multidisciplinar;

  • assistência farmacêutica;

  • criação de centros de referência no SUS.


Impactos do projeto

A médica Franciane de Paula da Silva destacou os impactos da proposta.


“O projeto representa diagnóstico precoce, acesso ao tratamento, organização do sistema e redução da mortalidade.”


O médico Leonardo Mendonça, do Hospital das Clínicas da USP, afirmou que a medida terá grande impacto social e sanitário.


A líder de pacientes Daniela Bianchi também pediu rapidez na análise. “Não podemos mais esperar.”



Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Política nacional de atenção integral às imunodeficiências primárias. Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Flaviane Rabelo.

Autora do projeto, Erika Kokay vai buscar aprovação da urgência para votação no Plenário


Próximos passos

Autora do projeto, a deputada Erika Kokay (PT-DF) lamentou a demora na análise, que já dura seis anos, e anunciou nova estratégia.


“Vamos atuar em duas frentes: acelerar nas comissões e buscar o regime de urgência para levar o texto ao Plenário.”


Ela também cobrou ações dos gestores públicos.


Representantes dos ministérios da Saúde, da Educação e do Trabalho apresentaram medidas em andamento. O coordenador nacional de doenças raras, Natan de Sá, citou avanços na criação de centros de referência e na triagem neonatal, mas destacou desafios. Atualmente, o país tem cerca de 2,2 mil alergistas e imunologistas para atender toda a população.

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